Araxá, 8 de setembro de 2010
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José de Paiva Netto  
José de Paiva Netto, escritor, jornalista, radialista, compositor e poeta, nasceu em 2 de março de 1941, no Rio de Janeiro/RJ, Brasil. É Diretor-Presidente da Legião da Boa Vontade (LBV), membro efetivo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), da International Federation of Journalists (FIJ), da Academia de Letras do Brasil Central, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e da União Brasileira de Compositores (UBC). Preside a Legião da Boa Vontade desde 1979, tendo multiplicado os programas de Promoção Humana, Social e Educacional da Instituição, num crescimento gigantesco, conforme publicado pela Veja em 1994, ao traçar o seu perfil. Lançou na LBV o lema Educação e Cultura, Alimentação, Saúde e Trabalho com Espiritualidade Ecumênica, marca de uma gigantesca ação comunitária, que prima pelo elevado padrão qualitativo no amparo às populações em situação de vulnerabilidade pessoal e social. Hoje, a LBV atua em todo o País, por meio de escolas de educação básica; lares para crianças, adolescentes e idosos; Centros Comunitários e Educacionais e campanhas socioeducativas.  
 
Colunista desde: Abril/2008  
 
Coluna Paiva Netto  
 

Os sons da Alma e a sociedade ouvinte (I)

É digna de respeito e louvor a biografia da célebre ativista social, escritora e conferencista norte-americana Helen Keller (1880-1968). Embora se saiba que, aos dezoito meses de vida, estava cega e surda, tornou-se, com o imprescindível apoio de sua amiga e professora Anne Sullivan Macy (1866-1936), um dos mais importantes ícones da luta pela qualidade de vida dos que têm deficiência. Um de seus pensamentos que mais admiro adverte: “Até que a grande massa de pessoas seja preenchida com o senso de responsabilidade para o bem-estar de todos, a justiça social jamais será alcançada”.

CORAGEM E PERSEVERANÇA

Apesar do encantamento que histórias como essa despertam, enganam-se os que acreditam que se trata de acontecimentos esporádicos da coragem e perseverança humanas. Na verdade, exemplos semelhantes ao de Helen estão por todo lugar, habitando, com frequência, o cotidiano. No que se refere à perda da audição, temos, atualmente no Brasil, quase 6 milhões de pessoas nesse estado.

Numa entrevista conduzida por Daniel Guimarães, no programa “Sociedade Solidária”, da Boa Vontade TV (canal 23 da SKY), os atores Sueli Ramalho e Rimar Segala, irmãos surdos de nascença, narraram belas experiências da trajetória de vida de ambos.

Ao ser indagada sobre de que modo encarava ausência de som na infância, Sueli comentou: “Sou filha de pais, avós paternos e bisavós surdos. Para mim, era normal. Minha língua materna sempre foi a de sinais. Eu achava que o mundo lá fora era deficiente. A gente morria de dó das crianças na rua, pois achava que mexiam a boca porque estavam com fome, porque não tinham chiclete ou bala na boca. Que mundo diferente é esse que não tinha chiclete? (risos) Queria ensinar todas essas pessoas a falar com as mãos. Era essa a minha preocupação”.

Por sua vez, Rimar Segala, por gestos traduzidos pela irmã, comentou: “A trajetória da Sueli foi diferente da minha. Embora sejamos surdos, a forma de comunicação é totalmente diferente. Sueli aprendeu [com ajuda de aparelho] a falar. Eu ainda não desenvolvi a fala. Quero muito falar com a sociedade ouvinte [termo que utilizamos para a pessoa que normalmente escuta]”. Sueli complementou: “Foi muito difícil aprender a língua portuguesa. Levei muitos anos para aprender a me comunicar com a sociedade ouvinte, porque o nosso recurso é totalmente visual. Ainda apanho da língua portuguesa!”. (risos)

COMPANHIA ARTE E SILÊNCIO

Fundadores da Companhia Arte e Silêncio, eles perceberam, desde muito cedo, pela influência do pai, que a educação e a arte poderiam ser instrumentos valiosíssimos no auxílio ao deficiente auditivo. Rimar explicou: “Em minha casa tinha muita cultura. Meu pai ficava contando histórias da Bíblia, de Moisés, e quando fui para a escola especial de surdos, percebi a falta de sensibilidade com a parte didática, da história da educação do surdo. Consegui com a minha família tudo o que aprendi. Então me sobressaía nessa escola. Quando me graduei em Matemática, acabei criando uma história, uma adaptação através dela. Comecei a ser um criador de histórias. Isso acabou me direcionando para o teatro”.

Ainda sobre o papel da educação, Sueli afirmou que “a maior dificuldade que as crianças surdas têm é da comunicação na própria família. É nela a primeira educação. Muitos pais querem aprender a se comunicar com seus filhos, mas não sabem como. Alguns deles jogam as crianças na escola achando que o professor tem que fazer um milagre, como se a surdez fosse uma doença, por não possuírem a correta informação. Daí termos montado a peça: A Orelha”.

Com o relato corajoso e pleno de esperança desses jovens, presto tributo ao Dia da Juventude, 12 de agosto, deixando claro que a mocidade não está perdida coisa nenhuma!

Na próxima coluna, continuaremos esta incrível viagem a um universo silencioso, mas repleto dos mais expressivos sons na alma dos que escutam com os olhos do coração.

LBV — AO LADO DE QUEM PRECISA

As chuvas que vêm atingindo a capital gaúcha levaram transtornos principalmente às famílias que habitam as ilhas Grande dos Marinheiros e do Pavão.

A escassez de alimentos e de itens de higiene pessoal sensibilizou ouvintes da Super RBV — AM 1.300, de Porto Alegre, e empresários, que procuraram a LBV, doando agasalhos, cobertores e alimentos não perecíveis.

O Portal www.boavontade.com registrou a distribuição dos donativos: O pescador aposentado Sr. Edson Bonapasse expressou seu reconhecimento: “Eu só vejo a LBV aqui ajudando o povo. Obrigado muito por tudo que fazem”. A Sra. Liane Farias, líder comunitária das ilhas, fez coro: “A LBV está sempre presente para ajudar a comunidade”.

O Centro Comunitário e Educacional da LBV em Porto Alegre (Av. São Paulo, esquina com a Av. São Pedro, 722, bairro São Geraldo), continua arrecadando doações para as vítimas das enchentes. Para mais informações, ligue: (51) 3325-7036.

José de Paiva Netto é jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@lbv.org.br — www.boavontade.com
 
 

Edições anteriores:
COLUNA PAIVA NETO
Coluna Paiva Netto
Estatuto do Nascituro: a vida na concepção
Brasília: a construção de um ideal
INIMIGO SILENCIOSO
Momento de silêncio
 
 
 
 
 
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