Toda vez que se aproxima uma eleição, lembro-me de um antigo programa de TV chamado “Você Decide”. Era um teledrama contado em um capítulo, onde uma estória era construída até um certo momento, mas a conclusão final era escolhida pelo telespectador. A emissora preparava e gravava antecipadamente dois (às vezes três) finais e quem assistia poderia ligar e optar pelo final que gostaria de ver. O final mais votado era o exibido, Daí o nome do programa.
Entretanto, ao observar com olhos mais atentos, o poder de decisão do telespectador era muito limitado, pois, afinal de contas, a estória, o enredo e até os dois finais eram definidos pela emissora. Para nós, sobravam apenas o 0800 001 ou o 0800 002.
Para a teledramaturgia, ficou muito interessante! Mas se compararmos com o processo eleitoral...
Em 9 meses estaremos escolhendo o novo (ou nova) dirigente para o nosso país, e a discussão nacional é sobre os nomes dos candidatos.
Os partidos e a mídia apresentam e divulgam pesquisa de intenção de votos, e as pessoas ficam a discutir e até a apostar quem é o melhor, quem vai vencer, às vezes com uma paixão semelhante a quem defende o time do coração.
Assim, passa-se o tempo, os partidos definem seus candidatos, contratam um marqueteiro para escrever o enredo da campanha eleitoral e aos eleitores cabe, no dia da eleição, escolher o final mais bonito, dando a impressão que participamos efetivamente da decisão.
É passada a hora de alterarmos este script!
As mudanças ocorridas no país nos últimos 20 anos estão levando o Brasil a um patamar de liderança mundial. Se não tratarmos seriamente outros problemas ainda não solucionados como a violência, a saúde pública, a corrupção, dentre outras, estaremos gastando mais energia com tarefas “do lar” do que nos ocupando com interesses maiores.
Por isso, entendo que a sociedade tem que decidir a “novela” completa: a estória, o cenário, os atores e aí sim definirmos o final.
Agora é o momento dos partidos políticos apresentarem suas propostas para os grandes problemas e colocando-as para apreciação nacional. Fariam pesquisas sobre a receptividade dessas soluções, buscando sugestões de melhorias.
Promoveriam uma grande discussão com os diversos setores da Sociedade Brasileira e reavaliariam suas propostas de acordo com todas as informações obtidas.
E aí sim, escolheriam dentre seus filiados, qual seria aquele que tivesse as habilidades necessárias para executar o que foi proposto, definindo, finalmente, o candidato.
Caso contrário, meu caro eleitor, nossa participação ficará resumida a uma simples anteposição de nosso indicador em uma de duas possíveis alternativas. Só que, diferentemente do “Você Decide”, não será o final, mas sim, o começo.
Um grande abraço e até a próxima...
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