A previsão foi feita há quase dez anos por Jeremy Rifkin, quando publicou o livro “O Fim dos Empregos”. Na época, tinha um ar tão futurista que soava como simples devaneio. A sua afirmativa, de que teremos, a cada dia, menos empregos e mais trabalho, ainda não fazia muito sentido.
Vamos associar sua idéia a uma legislação trabalhista ultrapassada, e perceberemos um primeiro gargalo severo no desenvolvimento dos negócios. O Brasil conta, por exemplo, com um volume de encargos trabalhistas quase 6 vezes maior que os EUA. Isso coíbe muitas vezes a idéia de novas contratações, sobretudo em funções ainda novas nas empresas. Em momentos como este, onde a economia está em crise, e há insegurança total por parte dos investidores, a primeira ordem é frear qualquer novo desembolso, sobretudo com a ampliação do quadro funcional.
Como alternativa para barrar o aproveitamento excessivo da mão de obra barata, a reforma recente na lei do estágio trouxe condicionantes, como a exigência de alocar o estagiário exclusivamente em atividades diretamente ligadas aos assuntos em evidência no seu curso. Lógica inquestionável, mas na atual realidade, foi mais um efeito restritivo para a ampliação da mão de obra.
Se na iniciativa privada as dificuldades se acumulam, na iniciativa pública também encontramos situações que dificultam a busca de um lugar ao sol. Se perpetuam pelo país os candidatos profissionais, pessoas que param carreiras (ou nem as iniciam) para passar anos estudando, buscando aproveitamento em algum concurso. Cursinhos e apostilas fazem parte deste exército de estudantes dedicados, que fazem os índices de candidato/vaga crescerem ano a ano.
Por fim, o consumidor, seja de produtos ou serviços, cada vez mais ávido por novidades, por customizações e exclusividades, de preferência todas elas baratas, parceladas e com bom atendimento, busca alternativas todos os dias. Com ele completamos nosso cenário atual. E é graças a ele que as condições de ameaça se tornam oportunidades.
Recente reportagem publicada pela Revista Isto É destacou o desenvolvimento rápido de profissões desconhecidas, exigindo, tal como os empregos mais tradicionais, um bom preparo dos novos profissionais. No foco, cursos que vão desde o aprendizado tecnológico para o desenvolvimento de jogos eletrônicos, passando pela estética, até a alta gastronomia.
Nos exemplos apontados acima, de novas áreas em franco desenvolvimento, pude vivenciar sucessos em todos eles. Tenho amigos que comprovam o sucesso repentino destes ramos. Um, atuando em uma incubadora tecnológica, desenvolve a programação de muitos novos aplicativos nacionais, inclusive jogos. Outra colega, ex-funcionária de uma grande rede de Spa´s, hoje faz atendimentos domésticos e iniciou sua própria rede de tele-massagistas terapêuticos. Por fim, vejo agora mesmo, as fotos de um amigo atualmente residindo na Austrália, para onde foi como mochileiro, e hoje, já formado, atua como Chef em um novo pequeno restaurante de lá, do qual é sócio.
Agora, como consumidor, pense naquela roda de amigos do fim de semana. Qual das duas situações seriam mais interessantes: comentar que esteve naquele conhecido restaurante com a família, aquele que todo mundo conhece, ou contar sobre a descoberta daquele pequeno lugarzinho que abriu, que quase ninguém sabe que existe, mas que tem um temperinho caseiro de dar água na boca?
Cada vez mais uma alternativa da falta de emprego é a conversão em profissional autônomo, autodidata, empreendedor, indo assim, de empregado a gerador de empregos. Já pensou nesta possibilidade? Muitos já a vivenciam, mas na informalidade, acreditando não ter condições de legalizar seus negócios, quando em muitos casos são verdadeiros sucessos.
Seja como novo empresário, seja como profissional contratado, ou mesmo como servidor concursado, a regra é cada vez mais atual: é necessário preparo. Em todas estas situações, há uma disputa desenfreada por espaço. Nela, só sobreviverão os melhores. Por isso, prepare-se.
Administrador Andre Luiz Carvalho
Coordenador do Senac/MG - Araxá
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