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Publicado em:26/08/2014
:: Justiça :: Renato Zupo critica projeto que pretende mudar a Língua Portuguesa. Entenda...

Projeto encontra-se em tramitação no Congresso Nacional. Reprodução

De todos os personagens bíblicos, Pedro foi o maior e mais interessante deles. Jesus Cristo não conta, porque representou nas escrituras um tema, olhado por vários olhos e vivenciado em várias passagens. Não foi um personagem. Pedro, ao contrário, foi um protagonista interessante do novo testamento.

Era valente, falava sem pensar, era vibrante e inculto. Amava profundamente Cristo, mas o negou por três vezes. Quer dicotomia, incoerência maior que essa? Foi o mais humano dos apóstolos, porque se agigantou ao descobrir sua pequenez, e superou-a, como só o fazem os grandes homens. Era um pescador iletrado, mas no fim da vida compôs lindas epístolas e se tornou o primeiro papa da igreja católica.

Duas passagens de suas cartas interessam diretamente aos profissionais do Direito e estão atualíssimas, apesar dos dois mil anos que nos separam do tempo em que foram escritas.

Disse que não devemos pagar mal por mal, injúria por injúria (1 Pedro, 1-22), afirmando ainda nos primórdios da civilização que as penas impostas aos criminosos e pecadores não deve repetir o mal, mas evitá-lo. Ainda no final de sua primeira carta, ensinou que os líderes - que chamou \"pastores\" - não devem ser gananciosos e nem dominadores, mas modelos de sobriedade, humildade e ânimo, mesmo diante das agruras da vida (1 Pedro, 5-1).

Aqui, foi um precursor contra as ditaduras, pregou a paz e a democracia, isso em uma época de reis e escravidão. Tem muito líder, no Brasil e no mundo, precisando aprender com o maior de todos os apóstolos.

Nossa Linda Juventude

Minha geração destruiu os nossos jovens. Não soubemos ser pais e nem educar. Aliás, o problema começou ainda na geração anterior, de pessoas que hoje estão na casa dos sessenta anos e que eram adolescentes na época da efervescência do sexo livre, das drogas, dos Beatles, da popularização da minissaia e da criação da pílula anticoncepcional. O problema surgiu aí.

Os jovens até então eram celibatários e acatavam as vontades dos pais e de gente mais velha. De um modo geral, eram subservientes e dóceis ao extremo, sem personalidade própria. No afã da mudança, mudaram demais e acabaram pecando pelo excesso.

Jovem hoje não respeita aos mais velhos, não ouve ninguém e nem procura aprender com as experiências alheias. Pessoas de vinte anos de idade vivem de verdades pré-concebidas que aprenderam assistindo TV, porque não foram treinados para exercitar o pensamento crítico. Não estudaram filosofia e nem sabem história.

Com isso, não questionam, mas sim imitam o que é mais bonito, mais eloquente ou mais popular. Nós, os maduros, deixamos que isso ocorresse. Assistimos impávidos à eclosão das gerações futuras e agora sofremos as vis consequências ao nos depararmos com uma sociedade arruinada e sem futuro.

A mentalidade atoleimada da juventude é a regra, sua falta de cultura é o corriqueiro - tanto que se neste instante há algum adolescente lendo essas linhas, dificilmente as estará compreendendo. O desamparo intelectual e cultural de nossos jovens é tamanho que, ao me deparar muito raramente com um adolescente bem educado e que leia bons livros, me surpreendo como se estivesse encontrando uma pérola dentro de uma ostra. Coitados de nós.

De novo a língua

Há projeto de lei tramitando no Congresso Nacional e de iniciativa da Sra. Presidente e seus ministros, e que pretende alterar novamente os cânones e regras da nossa língua portuguesa. Pretendem abolir o SS, o S com som de Z, o H mudo e o CH, dentre outros absurdos. Já disse e repito que não falamos português, mas sim \"brasileiro\".

Nossa língua pátria somente descende da lusitana, tanto que em alguns momentos se entende melhor o espanhol ou o italiano que o português de Portugal.

Deveríamos, portanto, parar com essa lambança de aderir a convenções linguísticas com outros países que já não nos acompanham no idioma. Falamos a mesma língua somente até o Século XIX, de lá em diante nos desapegamos das origens portuguesas. Ou seja, temos que ser menos formais ao falar e escrever o nosso idioma brasileiro e parar com a mania de preservar nuances linguísticas, acentos e sotaques que não são mais nossos.

Nem por isso podemos partir para o absurdo de querer escrever como se fala, como se os ruídos de nossa comunicação mantivessem as mesmas características da grafia do que exprimimos. É o que o Governo Federal está querendo, com seu novo Projeto.

Acredito que Dilma e seu séquito talvez estejam achando difícil demais nossa escrita e planejem simplificá-la ao extremo, retirando do nosso idioma todos os contrastes e riquezas. Quem sabe assim se comunicam melhor com seu eleitorado? O raciocínio é mais ou menos esse: ao invés de ensinar o povo a falar e escrever corretamente vamos abolir as regras do idioma. Assim todo mundo fala e escreve errado e igual. Vamos nos nivelar por baixo, pelo menos é mais barato e dá menos trabalho, não é mesmo?

Renato Zupo,
Juiz de Direito.
Justiça
Renato Zouain Zupo E-mail: Colunista desde: Agosto/2005 Juiz de Direito