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Publicado em:23/07/2014
:: De Olho na Justiça :: Renato Zupo em Virulência e a Ética Profissional no Jornalismo. Se Ligue..

Dr. Renato Zupo

Virulência

Sou fã de mesas redondas sobre futebol. Prefiro-as aos próprios jogos, às vezes. Só me entristeço quando observo profissionais de imprensa, alguns deles antigos e experientes, esquecendo a sempre necessária ética profissional para espinafrar jogadores, técnicos e demais profissionais do esporte. Chamam, por exemplo, aos dirigentes de \"cartolas\", e tome acusações de corrupção e incompetência!

Também me surpreende que critiquem impiedosamente jogadores que não fizeram gols, ou não se esforçaram, ou técnicos que tomaram decisões ruins e sofreram insucessos com seus times. Dá vontade não somente de desligar o televisor, ou mudar de canal. Dá vontade de mudar de planeta, ou ao menos ir para o meio do mato viver de brisa.

Profissionais de imprensa se esquecem que os personagens de suas crônicas diárias são também seres humanos com pais, filhos, esposas, que precisam de alguma dignidade para viver. Não dá para chamar o sujeito de \"burro\" ou \"corrupto\" em rede nacional de TV e ficar por isso mesmo.

Um antigo e conhecido político mineiro, que já foi vice-governador de nosso estado, certa vez entrou de arma em punho na redação de um grande jornal destas alterosas e obrigou um repórter metido a ousado a comer a reportagem que escrevera um dia antes e que não era, certamente, condescendente com os interesses daquele político.

Comer mesmo, enfiou-lhe o recorte de jornal goela adentro, a poder da ameaça armada. O irmão de Nelson Rodrigues faleceu assassinado a tiros na sede da redação da família, vítima dos humores de uma madame da alta sociedade carioca da década de 1940, porque havia feito insinuações rudes à moral daquela dama.

Certamente não estou defendendo que se faça justiça com as próprias mãos, até porque não considero estes que citei exemplos de \"justiça\". São, na verdade, gestos torpes de vingança, o que é muito diferente.

Todavia, jornalista tem que fazer a sua parte. Tem que respeitar os familiares e entes queridos de seus criticados. Não pode fazer como muitos pensadores e ditadores de esquerda recomendaram ou fizeram: por causa da carta, mataram o carteiro. Metaforicamente falando, é claro.

Blogueiros

Na crítica acima também insiro os blogueiros. Já falei deles aqui. Já fui, também, vítima deles, e se bobear volto a ser, porque uma coisa que não aprendi nessa vida foi a falar para agradar quem quer que seja, ou a fugir de polêmicas.

Para cada blogueiro bom e ético, há mais de cem que não sabem português ou história e ganham a vida e perdem o tempo falando mal dos outros pelo simples prazer de disseminar a discórdia.

Mas, repito, há blogueiros de altíssimo nível, e alguns deles acompanho de vez em quando, achando-lhes ótimo o texto e a opinião. A receita para se comunicar sem se estrumbicar, como dizia Chacrinha, é não esquecer da boa e velha ética.

O comunicador tem que se perguntar três coisas, sempre: 1) Tenho certeza do que estou falando? 2) Vou ferir gente inocente ao veicular minha informação ou opinião? 3) Estou sendo justo em minha crítica? Só com uma resposta positiva a estas três indagações vale a pena divulgar a manifestação crítica de pensamento.

Juca Kfouri

O que têm em comum Armando Nogueira, Nelson Rodrigues e Juca Kfouri? Todos três, além de profissionais de imprensa famosos, formadores de opinião e jornalistas esportivos, também detém uma característica peculiar e importantíssima: nunca entenderam, ou entende (caso do Juca, vivíssimo), nada de nada de futebol.

Não que eu entenda, mas o caso deles é folclórico: utilizavam os jogos do velho esporte bretão para exercitar seus dotes literários e dissecar a alma humana em crônicas primorosas. Usavam os dribles de garrincha, ou a contusão de Ronaldo, ou a genialidade de Pelé, para falar do Brasil e dos Brasileiros sob um enfoque poético sem igual.

Nelson Rodrigues, por exemplo, afirmava que um gol imprevisível teria sido marcado pelo sobrenatural de Almeida, ou apelidava nossa seleção canarinho de pátria de chuteiras. Armando Nogueira traçava circunlóquios em torno de um fla-flu, e dizia da desesperança de uma nação durante a perda de uma Copa do Mundo.

Kfouri, o mais novo, ou menos velho, dos representantes desta escola literária da Bola, tem, no entanto, um defeito parvo: socialista de carteirinha que é, aprendeu com a propaganda soviética a distorcer fatos para obter ganhos políticos. Assim é que afirmou na Copa das Confederações que o vaiado era Joseph Blatter, o todo poderoso da Fifa, e não a nossa Presidente Dilma. Pura mentira, Dilma foi vaiada de novo um ano depois. Também disse que as passeatas violentas durante aquele evento somente terminaram em pancadaria por causa dos exageros da polícia, o que todo mundo sabe não ser verdade.

O que mais se viu durante aqueles tristes eventos de julho de 2013 foi policial apanhando. Soltou, por fim, uma pérola pérfida durante a recente Copa do Mundo, afirmando que pagamos as contas da farra da CBF. Nada mais estúpido, porque a CBF é uma associação privada que têm lucros e receitas próprios, e não precisa sequer prestar contas de suas atividades.

Renato Zupo,
Juiz de Direito
Justiça
Renato Zouain Zupo E-mail: Colunista desde: Agosto/2005 Juiz de Direito