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Publicado em:14/07/2014
:: Coluna Justiça :: Dr. Renato Zupo e a Copa do Mundo que Ninguém Viu. Confira...

Renato Zouain Zupo

A Copa que Ninguém Viu (1)

A CBF recorreu à Fifa logo após o apito final do jogo contra a Colômbia, pretendendo punir o carniceiro colombiano Zuñiga pela entrada criminosa em Neymar e também anular a suspensão automática de seu capitão e principal zagueiro, Thiago Silva.

Enquanto os recursos não eram julgados, Felipão e seus comandados criticaram a Fifa em entrevistas coletivas, desrespeitando regras daquela entidade, e a nossa polícia prendeu agentes Fifa envolvidos com cambistas. Resultado: A CBF perdeu os recursos, Zuñiga não foi punido, Thiago Silva permaneceu suspenso, e em seguida o Brasil foi eliminado do mundial.

Coincidência demais, não acham? Ou é coincidência ou uma vingança da entidade maior do futebol contra os donos da casa, como se a dizer para o mundo inteiro: \"quem manda aqui somos nós!\".

A Copa que Ninguém Viu (2)

Marketing demais e treinos de menos, foi o que se viu durante a preparação brasileira para essa Copa do Mundo. Nossos atletas eram garotos propaganda requisitadíssimos ao longo do evento, alguns deles aparecendo duas a três vezes no mesmo intervalo comercial em horário nobre de TV, caso do Neymar, uma unanimidade nacional.

Mesmo outros atletas mais obscuros, como William e Bernard, também ganharam seus trocados anunciando refrigerantes e eletrodomésticos.

Das três uma: ou o dia desses caras tinha trinta horas e não nos falaram nada, ou gravavam seus comerciais durante o período de concentração e treino, ou nos inúmeros e desnecessários intervalos e folgas desses insuficientes treinos. Prefiro, por motivos óbvios, a terceira hipótese.

Fato é que nossos jogadores treinaram muito pouco, assistiam palestras motivacionais e psicológicas demais, viam filminhos dos adversários e ficavam pendurados em redes sociais e nos seus celulares ao invés de permanecer em campo e com a bola nos pés no luxuoso centro de treinamento da Granja Comary.

O resultado desse corpo mole foi visto não somente no jogo fatídico contra a Alemanha, mas ao longo de todo o torneio, que jogamos mal e apenas para pagar a conta do chá ou da reeleição da presidenta.

A Copa que Ninguém Viu (3)

Está certo que em 2006 todos vimos Zidane dando uma cabeçada em um zagueiro italiano, e mesmo em nossa copa presenciamos um outro francês quebrando a perna de um jogador da Nigéria. No entanto, cabeçadas não geram seqüelas graves e quebrar a perna do adversário em uma entrada mais viril é lance absolutamente normal do jogo.

O que você não vai ver, de fato, é um europeu dando mordidas ou joelhadas nas costas de um adversário, dentro de um campo de futebol. Isso porque eles têm milênios de civilização, educação em tempo integral, professores bem pagos, casais que planejam seus filhos para tê-los após o casamento e já maduros, pondo no mundo só um ou dois pimpolhos que possam de fato cuidar.

Ou seja: não importa a cor da pele ou a procedência geográfica do sujeito, o que importa é sua cultura e educação, que a Europa, o velho mundo, tem de sobra, e o resto do mundo tem muita falta.

A Copa que ninguém Viu (4)

Vimos, mas não reparamos: a presidenta sendo vaiada na abertura do evento por uma plateia de mais de sessenta mil pessoas. Isso sim é um evento único no mundo, muito mais que perdermos de sete a um para a Alemanha.

Nunca se imaginou o gestor maior de um país sendo tão hostilizado em um evento público, isso nunca aconteceu na história do mundo, e reflete duas coisas: a) por mais que questionemos Dilma Roussef, ela é nossa presidenta, chefe do Poder Executivo Federal, nossa autoridade maior, e merece respeito pela instituição e pelo país que representa, e não o que se viu. b) as vaias vieram de gente das classes A e B com dinheiro para assistir os jogos da Copa sem precisar vender um rim, e não de descamisados ganhadores de bolsa-miséria, componentes da classe social mais numerosa e determinante na hora de eleger presidentes.

A Copa que Ninguém Viu (5)

Na início da Copa de 2010 vaticinei nesta coluna o fracasso do futebol espanhol, que comparei ao futsal com jogadinhas para os lados e passes pouco objetivos. Resultado: a Espanha foi campeã e queimei minha língua. Agora, sapequei ela de novo ao elogiar antes da hora o técnico Luís Felipe Scolari, a quem chamei prematuramente de \"genial\".

Tenho é que ficar com a boca fechada e parar de dar palpites futebolísticos. Acho que não entendo nada de futebol, mesmo.

Renato Zupo,
Juiz de Direito.
Justiça
Renato Zouain Zupo E-mail: Colunista desde: Agosto/2005 Juiz de Direito